quinta-feira, maio 12, 2005

O Lugar da Antropologia no Ensino

É certo que só trabalhando, em Portugal, se pode fazer antropologia, a não ser que se tenha um backgroud familiar e finaceiro considerável, em todo o caso duvido dessa antropologia. Há que dar lugar àqueles jovens que vêm da ruralidade, capitalizar o seu conhecimento, ao invés de se admirar com discursos de carácter elitista que são o resultado de muita da antropologia em Portugal. Para os licenciados em antropologia, a situação é deveras dramática, já que são agora impedido de concorrer nos concursos e as ofertas de escola quando surgem são aproveitadas por outros licenciados, nomeadamente em Geografia, que têm habilitação própria. Não terá a antropologia por outro lado, que se moldar à mudança social que se verifica no nosso país? Por outro lado, as vagas para museus anunciadas pela ministra da cultura contemplarão os antropólogos? O acesso a bolsas de estudo, por outro lado, continua envolto num secretismo e reconheçem-se os resultados apenas, a fascinação por certos temas, na ligação entre professores e alunos, não se olha a uma visão de conjunto, própria da antropologia, que seria seguir o percurso académico desde o início, na origem, até determinado ponto em que pode ser avaliado. Não estão os antropólogos caindo na tentação das capelinhas?

segunda-feira, maio 09, 2005

CONFERÊNCIA SOBRE DIVERSIDADE CULTURAL E CONSTRUÇÃO DO ESTADO E DA NAÇÃO EM TIMOR LESTE

Caros Colegas,

Convido todos os interessados a assistir/participar na Conferência internacional nos dias 20 e 21 de Maio de 2005 na Universidade Fernando Pessoa no Porto.

Conferencistas:

SEXTA-FEIRA, 20 DE MAIO

Revisiting the Viqueque Rebellion of 1959 - Geoffrey Gunn (Nagasaki University)
Construção do Património Arquitectónico Colonial em Timor-Leste e Identidade Nacional .- Marta Lalanda Prista (Bolseira da Fundação Oriente)
O Lendário Cosmológico Timorense - Um roteiro de Representações- Joaquim Fernandes (Universidade Fernando Pessoa)
O Fluxo dos Rituais: Retorno ou Continuidade? (sobre o Fenómeno Ritual em Timor Leste Independente) - Lúcio Sousa (Universidade Aberta)
Ita-nia nasaun oin-ida, ita-nia dalen sira oin-seluk: "Our nation is one,our languages are different" Language Policy in East Timor - Aone van Engelenhoven (Leiden University)
Timor Oriental: Mosaico de Línguas e de Sociedades a um Tempo distintas e Inter-Tradutíveis - Maria Olímpia Lameiras – Campagnolo e Henri Campagnolo (CNRS - França)
O que é Timor Lorasa'e- Ricardo Jorge Antunes -(Escola Superior de Educação da Guarda)
Lingua Tétum: Factor de Unidade - Luís Costa
A "Multidimensionalidade" da Construção Identitária em Timor - Leste. Nacionalismo, Estado e Identidade Nacional - Nuno Canas Mendes (ISCSP - Universidade Técnica de Lisboa)

SÁBADO - 21 DE MAIO

“Kaladi, Firaku e Kafir: permanências e emergências étnicas em Timor Independente”– Paulo Castro Seixas (Universidade Fernando Pessoa)
Elites timorenses e a construção do Estado: projecções identitárias, ressentimentos e jogos de poder- Kelly Cristiane Silva (Universidade de Brasília)
“Third-world colonialism, the geração foun, and the birth of a new nation: Indonesia through East Timorese Eyes, 1975-99” – Peter Carey (Trinity College – Oxford University)
A Antropologia Colonial e a Invenção das Culturas de Timor Leste de A. A. Mendes Correia e António de Almeida - Ivo Carneiro de Sousa (Universidade do Porto / CEPESA)

FICHA DE INSCRIÇÃO.
http://www.ufp.pt/page.php?intPageObjId=14152

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

EM TORNO DA DECLARAÇÃO DE BOLONHA

No quadro da implementação da Declaração de Bolonha, a ministra da Ciência e do Ensino Superior, Profª Graça Carvalho, procedeu à nomeação de grupos de trabalho encarregados de fazer um conjunto de propostas à tutela sobre a implementação do processo de Bolonha em diferentes áreas disciplinares. Para esse efeito, a antropologia – em conjunto com a sociologia e o serviço social – foi englobada na área de conhecimento das “ciências sociais”. A coordenação dos trabalhos desta área foi assegurado pelo. Prof. Manuel Braga da Cruz, actual reitor da Universidade Católica, e traduziu-se na apresentação de um documento – que pode ser consultado no site do MCES – que formula um conjunto de recomendações sobre a aplicação da Declaração de Bolonha à área das ciências sociais. Dessas recomendações destaca-se em particular a defesa de um primeiro ciclo de formação inicial (bacharelato ou licenciatura) de três anos em ciências sociais, com as formações mais específicas nas diferentes áreas – antropologia, sociologia, etc. – a surgirem apenas ao nível do 2º ciclo (mestrado) de 2 anos.
Na altura em que escrevo, desconhece-se o que o governo saído das eleições de 20 de Fevereiro tenciona fazer com este documento. Mas o bom senso sugere que o caminho mais sensato seria deixá-lo cair. De facto, e antes do mais, o documento resulta de um agrupamento de áreas científicas – antropologia, sociologia, serviço social – que é arbitrário e limitativo, não somente pelo que inclui, mas também pelo que exclui. Em segundo lugar, existe um grande desfasamento entre as conclusões e as propostas do documento e a discussão efectiva no terreno, designadamente ao nível dos departamentos de sociologia e antropologia das universidades portuguesas, que têm vindo a tomar posições bastante diferentes das que o documento Braga da Cruz acolhe. Finalmente, o documento, ao pronunciar-se por um 1º ciclo em banda larga de ciências sociais compromete de forma inadmissível a individualidade institucional, científica e pedagógica das diferentes áreas das ciências sociais e, em particular, da antropologia.

Lisboa, Fevereiro de 2005
João Leal
Departamento de Antropologia, Universidade Nova de Lisboa