O Lugar da Antropologia no Ensino
É certo que só trabalhando, em Portugal, se pode fazer antropologia, a não ser que se tenha um backgroud familiar e finaceiro considerável, em todo o caso duvido dessa antropologia. Há que dar lugar àqueles jovens que vêm da ruralidade, capitalizar o seu conhecimento, ao invés de se admirar com discursos de carácter elitista que são o resultado de muita da antropologia em Portugal. Para os licenciados em antropologia, a situação é deveras dramática, já que são agora impedido de concorrer nos concursos e as ofertas de escola quando surgem são aproveitadas por outros licenciados, nomeadamente em Geografia, que têm habilitação própria. Não terá a antropologia por outro lado, que se moldar à mudança social que se verifica no nosso país? Por outro lado, as vagas para museus anunciadas pela ministra da cultura contemplarão os antropólogos? O acesso a bolsas de estudo, por outro lado, continua envolto num secretismo e reconheçem-se os resultados apenas, a fascinação por certos temas, na ligação entre professores e alunos, não se olha a uma visão de conjunto, própria da antropologia, que seria seguir o percurso académico desde o início, na origem, até determinado ponto em que pode ser avaliado. Não estão os antropólogos caindo na tentação das capelinhas?

31 Comments:
Num mundo cada vez mais economicista não é de espantar que a tendencia para as ciencias do homem se dissipem por detras da tecnologia e da economia. é, no entanto, em meu ver uma aposta infeliz. por detras de toda esta euforia capitalista e, muitas vezes ao contrario do que se esperaria, empobrecedora de mentes existem homens e culturas, no entanto as pessoas tendem a ver o mundo segundo uma perspectiva estatica e adquirida, como se nada fosse mudar valorizando então os superfulos do dia a dia em detrimento das realidades concretas de um mundo global e em constante mudança. é talvez devido a este aparente estaticismo sensorial que se despresa muitas vezes a antropologia que guarda memorias do que está de dia para dia a ser destruido. é também devido a este aparente estaticismo e deshumanismo capitalista que se marginalizam as artes da dança, da pintura, da escultura , da fotografia, da musica etc etc...hoje em dia tudo está por detras de um clique de navegação tecnologica, na radio ou na tv, (para nosso bem claro), fotos de pinturas famosas, uma musica, modelos 3d de estatuas antigas, tudo. no entanto o que todos parecem esquecer é que o que vemos feito vem do homem , do seu ser do seu saber e da sua cultura, e que qualquer obra para ser bem entendida e apreciada na sua plenitude há que ser primeiramente entendida e descortinada e digamos "convertida" para a nossa estrutura de entendimento. gostaria então de deixar o meu parecer face áos deveres dos antropologos na divulgação do seu trabalho. a postura que me parece a mais correcta para serguir nos dias de hoje não é a de marginalização e vitimização mas sim a de aproveitamento dos recursos desenvolvidos por outras areas reconhecendo as preferencias do publico e chegar até ele por essas mesmas vias. é certo que todos se interessarão , a antropologia é extremamete interessante, é so torna-la acessivel.
O que me parece da minha experiência de contacto com os antropólogos é que o indivíduo, com todas as suas complexidades e potencialidades, parece não contar
no seio do grupo. Temos de nos unir para compreender o mundo, o lugar do homem no universo, não de um modo estático,é certo, e tendo
em conta todas as suas manifestações culturais. Mas a que públicos se dirige a antropologia?
É uma questão que coloco. Fazer jornalismo de proximidade não basta para "ganhar o céu", é preciso comunicar a riqueza e por vezes a linguagem da loucura que nos invade. Acredito no entanto, que não se pode voltar ao passado em termos de percurso enquanto actor social. O antropólogo vê-se, portanto, perante um grande desafio,ter uma visão e participação activa em que a liberdade individual tem um importante papel a jogar. Sem união os antropólogos não poderão
fazer reivindicar, se a questão for reivindicar, uma parcela de verdade nas leituras que fazem do mundo.
Porque se escondem os antropólogos atrás de fórmulas e estratégias ou se mostram em favor de causas identitárias a que não aderem enquanto actores sociais? Não sabem eles que o seu trabalho está armadilhado, politizado? Tendo feito trabalho de campo em Sesimbra, é com espanto que vejo os pescadores desta localidade passarem nos canais de comunicação visual reivindicando o seu direito ao trabalho? Não seria já tempo de fazer um directório da APA, dos seus associados? Onde está a verdade, neste mundo em constante mudança? Não existirá no seio da comunidade antropológica um zeloso respeito pela ordem académica? Como produtores de textos, os antropólogos deveriam ser mais interventivos, mergulhar no mundo real de quando em vez. Mas não, mais parecem uma confraria, agarrados a fórmulas mágicas que lhes conservem o nome, só o nome.
As descrições que fazemos do mundo visam intervir positivamente, medir distâncias, não apenas ficar com um olhar distanciado. Onde está a verdade? Quando chega alguém que é incómodo e desagradável talvez o ignorem porque se autodestruirá. Quando alguém diferente e com criatividade chega e marca posição, os antropólogos, fazem um olhar estranho e olham uns para os outros. Haverá algum espírito de classe? Que papel, para além do meramente académico, têm os antropólogos na sociedade portuguesa? A diferença causa espanto, raiva, incómodo, perturbação, sobretudo quando essa diferença é inofensiva e carregada ao mesmo tempo de sentido. Vale por si.
Ao ler o comentário acima, não pude deixar de concordar com o apelo expresso para uma maior intervenção dos antropólogos nas situações reais, para uma mobilização para a acção no terreno, no fundo para um regresso a uma antropologia aplicada. Acontece que, em meu entender, nos dias que correm a tendência é precisamente a inversa. a questão jornalística pareceu-me também um ponto a debater.
O jornalismo tem vantagens económicas, mediáticas e populistas que se sobrepõem em larga medida à actividade científica e á sua validade e difusão. A sua colagem ao cinema sensacionalista é um trunfo que acorre ás necessidades despertadas do imaginário já moldado das sociedades contemporâneas despertando de imediato uma atractividade incomparável na comunidade civil e muitas vezes uma aderência incondicional. Mais uma vez factores económicos e políticas parecem estar na origem desta mediatização da reportagem rápida, do discurso opinativo, da falta de compreensão relativa e muitas vezes do preconceito. O sensacionalismo e o apelo à emoção são truques psicológicos baratos e mais que estudados pelos produtores de Tv tendo vindo a ganhar espaço com as televisões privadas contribuindo cada vez mais para uma homogeneização da opinião pública que assimila sem qualquer postura critica.
Verifica-se igualmente um desinteresse político na intervenção antropológica remetendo cada vez mais os antropólogos para o campo da teorização e da marginalidade participativa, estigmas sócio-profissionais que transcendem a minha compreensão ou aos quais arriscaria a apelidar de ignorância.
Gostei da tomada de posição de Sapiens sobre o papel dos antropólogos e o jornalismo. Na realidade, o jornalismo duplica ou inventa a realidade, enviesando-a, e se não formos criticos não poderemos ver a realidade como um todo. Contudo, a visibilidade social comanda as consciências do "povo" e leva-o a agir, criando um efeito perverso. A Questão é quem deve governar? Vamos voltar ao governo dos filósofos como na Grécia Antiga?
esse efeito preverso que tanto agrada aos poderes instalados e influentes... mas, apesar disto convenço-me por vezes que o grosso da população "gosta" de ser manipulada, ou seja, aparentemente nem todas as pessoas desenvolvem consciencia critica ...os motivos? voltamos ao debate: biologia?cultura? historia de vida?
A história de vida pode ser importante, mas creio que as pessoas preocupam-se, no Portugal de hoje, em sobreviver através da subserviência e não do mérito que eventualmente possam ter.
Sem duvida alguma, o que nos faz mais uma vez pensar no problema e no impacto da cultura na propria economia, no orgulho no trabalho e no orgulho de bem fazer, algo que em meu entender, o povo portugues no geral parece ter esquecido. a responsabilidade disto parece-me obvia remetendo-se para os sucessivos anos de governação lascista e indulgente. politicas desculpabilizantes, pouco educativas que produzem um tipo de trabalho que, talvez seja mais impositivo do que cativante ou motivador. o grande problema é precisamente aquele por onde começámos : um problema politico.
O problema é político porque é a política que mobiliza as pessoas a partir da consciência da cidadania, do poder da palavra dita, não pensada, não escrita. Aos antropólogos cabe um lugar mobilizador na sociedade portuguesa, como cabe aos sociólogos, mas parece que a sociedade civil releva o antropólogo para um lugar equivalente ao do filósofo e não lhe dá atenção. Mas o antropólogo é também homem ou mulher, é um cidadão, um actor social, um ser como os outros. A história de vida é importante, saber ouvir os outros não é tudo, é preciso trabalhar, sofrer em nome de algo, para chegar a algum lugar, quando tudo se perdeu nada mais se tem a perder.
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com a crise que já se vive e se intensifica de dia para dia, quer economica, identitária, politica, civil etc penso que a antropologia poderia dar um contributo impar para uma possivel reconstrução social. No entanto, a minha postura de convicção é a de que vivemos um periodo tão critico como o dos anos 30 do passado seculo e que, como tal , também este culminará com uma guerra á escala mundial. resta-nos pensar a realidade e tentar reconstruir o que sobrar da maneira mais sabia e mais feliz que se conseguir. os antropologos serão de novo uma ajuda preciosa.
Não seja pessimista. Há que promover os profissionais de antropologia, nomeadamente aqueles que estão ainda nas universidades,
a lidar com o mundo cada vez mais complexo. Mas a antropologia ensina que a complexidade pode tornar-se simples.
sem duvida alguma , toda a complexidade se torna simples quando se conhece, quando se sabe o porquê das coisas. resta aos antropologos contribuir para a clarificação das ideias e para a remoção dos preconceitos que florescem hoje mais do que nunca , ajudados pelos media.
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sapiens, que é você? Sabe quem eu sou?
De facto não faço ideia de quem possa ser. Quer apresentar-se? ou vamos manter o anonimato?
mantemos
Uma questão que gostaria de colocar a quem nos lê seria como conciliar o presente etnográfico com a história numa perspectiva interdisciplinar? E o que se entende por presente etnográfico?
como pode a antropologia ser mais interventiva.. se ela inteira os membros da sociedade de q os seus ritos sao todos produtos da própria sociedade em q existem, e q tudo o q fazem pode ser delineado num papel com anos de antecedência, seram os antropologos profetas de uma realidade q nao convem ser racionalizada, o q seria da economia se tivessemos de pensar nos efeitos colaterais q ela provoca a mais de metade da população do planeta?
bem pensado, acho que o poder da antropologia nunca deve vir ao decima porque os homens de poder receiam os seus lugares, e não estão interessados em um mundo justo, um paraíso em toda a terra, mas nas suas circunstâncias pessoais. Mas isso pouco gente entende...
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o blog está muito inactivo e já há bastante, não há quem de direito?...
Hedgar já que te mostraste preocupado com a inactividade do blog, tomo
a liberdade de te convidar para vires conhecer um novo blog de antropologia criado conjuntamente por mim e por mais um colega de curso:
http://antropo-rflexoes.blogspot.com/
espero que gostes, qualquer coisa deixa mensagem nos comments para te adicionarmos como user do blog
abraço
Boas pessoal, venho por este meio tentar saber se alguém conhece links de artigos de antropologia ou sociologia relacionados com antropologia da pesca, antropologia do mar, ou sociologia da pesca e sociologia do mar, em virtude eu já estar a preparar o meu trabalho de campo para fazer dissertação de mestrado, que vai ser sobre esta área. Já tenho os artigos online da revista do CEAS Etnográfica.
Obrigado pela atenção!
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Iza, Roberto Iza
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Gracias y recuerdos
Iza, Roberto Iza
Há alguns anos em o ISCSP o mesmo problema colocou-se; a situação agravou-se em o que concerne o ensino; enfim, o que ficou dito então foi que os antropólogos através de a utilização de a observação participante deveriam emprender seus cursos em benefício de a sociedade em que viviam; o mesmo parece ter oportunidade hoje; emprender é utilizar design para exercer a profissão; o técnico tem que convencer o emprego a aceit]alo como competente para o executar e n\ao o tecnico esperar que algo em seu âmbito caia do céu.
Felicidades.
Concordo com F.Pinho
Mas, que diacho, alguém senão os antropólogos se preocupa com o Tratado de Lisboa? Cultura material...cultura imaterial....boa questão para debater. Alguém alinha?
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